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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Expedição Ornitológica - Floresta Atlântica

É sempre emocionante encontrar uma área preservada da Floresta Atlântica. Foi com esta emoção, com a responsabilidade e o dever de interferir o mínimo possível naquele mundo tão fantástico e poderoso, e ao mesmo tempo tão frágil diante da ação do homem, que partimos para nossa jornada. A mata da RPPN Frei Caneca, em Pernambuco, é a área de Mata Atlântica mais bem preservada do NE. Ao percorrer aquelas trilhas é impossível não se curvar diante da exuberância e beleza daquela mata. O possibilidade de encontrar espécies de reconhecido endemismo (que só existem ali), aumenta ainda mais a emoção da nossa expedição. Foram dois dias e uma noite, entre a vegetação cerrada, nas sombras da mata. 
E por falar em noite, ela traz à floresta a mais absoluta escuridão. Que só foi vencida após o surgimento de uma bela lua crescente. E foi nesta escuridão que saímos à procura do que a noite escondia.


Guiados pela sua vocalização potente, encontramos, abrigado entre as folhas de uma bromélia, este pequeno anfíbio. E foi só uma das muitas criaturinhas a emprestar sua cor às nossas fotografias. Estes não são os únicos pequenos seres a se beneficiarem da proteção das belas bromélias.






Uma grande variedade de aranhas-caranguejeiras, também exibiram suas cores às nossas lentes.


















Mas, a luz do dia não nos mostrou coisas menos interessantes. E nos reservou encontros muito gratificantes para compensar o esforço de percorrer as ladeiras no meio da mata. Já nas proximidades do alojamento fomos brindados com a oportunidade de fotografar um simpático, belo e raríssimo beija-flor. O Thalurania watertonii, é uma espécie endemica da Mata Atlântica Nordestina, e encontra-se AMEAÇADA DE EXTINÇÃO, em razão da destruíção do seu habitat muito específico. Registros fotográficos mais recentes só foram obtidos em Pernambuco e Alagoas. Sinto-me honrado, e grato a Deus, pela oportunidade de fotografar esta espécie, e poder mostrar e dizer às minhas filhas: Eu o vi.





Nas trilhas da Mata Atlântica, enquanto caminhamos, a maior parte do tempo com os olhos buscando o alto das árvores, é impossível não ter atenção desviada por pequenos seres alados, que às vezes se confundem com folhas ao vento. São borboletas, nas mais variadas formas, cores e tamanhos, que cruzam nosso caminho a todo instante.
É importante, e urgente, que a sociedade tenha consciência da importância da preservação do que resta deste bioma tão rico em vida, a Floresta Atlântica. E que este entendimento seja mais concreto do que o simples discurso ambientalista.